O sexo virtual já faz parte da nossa vida real

Quase 50% dos brasileiros convivem com o sexo por aplicativos, telefone ou computador. E acham que o sexo virtual impacta e influencia o real, em carne e osso, de forma positiva ou negativa.

Homem No Espelho - Sexo virtual e sexo real

Por Wilson Weigl

Mandar nudes, tirar fotos pelado para um contato, enviar mensagens safadas… Essa interação sexual virtual já faz parte da vida de 44% dos brasileiros. Embora outros 40% não queiram nem saber dessas práticas, metade dos homens e mulheres acredita que o sexo virtual impacta e influencia o sexo real, em carne e osso, seja de forma positiva ou negativa.

O uso dos aplicativos de namoro e sexo casual tem sido uma das principais mudanças de comportamento deste século. Não só a paquera virtual facilitou os namoros como a troca de fotos de nudez e mensagens sobre preferências sexuais agilizou o sexo direto e reto, às vezes no primeiro encontro ou com desconhecidos. E se antes da pandemia já era comum o sexting — o ato de compartilhar mensagens de texto, fotos e conteúdos eróticos em aplicativos e redes sociais — sua popularidade aumentou muito após as regras de distanciamento social.

Uma pesquisa do Datafolha, encomendada pela Omens, plataforma de saúde para homens, em parceria com o aplicativo de encontros happn, ouviu 999 brasileiros (499 homens e 500 mulheres) que opinaram sobre a interferência do sexo virtual na sua vida sexual e, principalmente, contaram como se sentem em relação à expectativa de fazer sexo no primeiro encontro.

O hábito de sexting é mais alto entre os homens (48%) do que entre as mulheres (40%) e, mais ainda, entre os gays (69%). Entre os entrevistados da pesquisa, homens e mulheres, 26% asseguram praticar sexting apenas com o parceiro fixo, em um relacionamento sério. Será mesmo verdade?

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Relações reais versus virtuais

Dos 50% que disseram sofrer impacto do sexo digital na sua vida sexual real, 29% acreditam que essa influência seja negativa, por gerar falta de interesse na prática concreta. Outros 21% creem que o efeito é positivo, por estimular a excitação e o interesse por outras pessoas. Para 34%, o sexo virtual não repercute na vida real.

“O virtual hoje faz parte da sexualidade, abrindo possibilidades de explorar o prazer de novas formas. Os efeitos do sexting, positivos ou negativos, dependem do uso, ético ou não, que se faz do recurso”, explica Francis Kich, psicólogo especialista em sexualidade da Omens.

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Risco do sexting é a substituição do sexo presencial pelo virtual, segundo Francis. Baixa autoestima, autoimagem corporal negativa, inibições e ansiedade são motivos que fazem algumas pessoas usarem as redes sociais para evitar contato pessoal. Nesse sentido, o sexting, embora tenha muitos pontos positivos, torna-se nocivo ao resumir a sexualidade às relações virtuais. Chega até a causar prejuízos sociais, ao virar vício que consume tempo, compromete outras áreas da vida e gera sofrimento.

Falar de sexo logo de cara?

Quão confortáveis as pessoas se sentem em falar de sexo ainda nos primeiros contatos?

Na pesquisa, 29% dos homens e só 8% das mulheres afirmaram puxar o assunto em conversas nos apps de relacionamento. 25% das pessoas evita o tema pelo menos por um tempo (26% pelo menos até o primeiro encontro real) e 24% não se negam a falar de sexo, mas também não tocam no tema e preferem esperar que a outra pessoa introduza o tópico na conversa.

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Interessante e curioso é que quase metade das mulheres (44%) evitam falar de sexo em qualquer momento nos apps. Esse número é muito menor entre os homens: apenas 18%. O dado atesta a crença de que é sempre o homem que faz insinuações sexuais enquanto a mulher tenta postergar e esconder esse assunto em resposta às investidas.

Outra curiosidade: a faixa etária em que mais pessoas (21%) puxam assunto sobre sexo é entre 51 a 70 anos — uma idade em que provavelmente não se tem tempo a perder com enrolações.

Pressão para transar no primeiro encontro

Na pesquisa, 39% disseram se sentir pressionados de alguma forma pela possibilidade do sexo no primeiro encontro.

14% dos homens disseram sentir pressão para o encontro acabar em sexo, por achar que é seu “dever” proporcionar a experiência para o outro — a sociedade ensina que o homem deve estar sempre pronto para o sexo, como uma “obrigação” masculina. Para o sexo feminino, a possibilidade é menos relevante, citada por só 8% das entrevistadas. As mulheres não se sentem obrigadas a transar no primeiro encontro.

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Detalhe relevante é que, frente à possibilidade do sexo acontecer no primeiro encontro, 27% das mulheres se sentem nervosas e inseguras, por não ter intimidade com a pessoa e pelo receio de um eventual comportamento desagradável de um homem até então pouco conhecido — só 18% dos homens sentem desconforto pela falta de intimidade com a outra parte.

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Ao sair com alguém pela primeira vez, 41% dos homens e 32% das mulheres afirmaram procurar relaxar e desfrutar o máximo possível do encontro, sem grandes expectativas. Por fim, 16% afirmaram não pressionar por sexo, mas esperar que o(a) parceiro(a) o surpreenda com a proposta.

Metade das pessoas não entram em contato depois

A pesquisa também buscou entender como as pessoas reagem no dia seguinte à primeira vez.

A grande diferença, porém, está no gênero: entre as mulheres, 43% das entrevistadas esperam que o parceiro as procure depois da transa, enquanto que apenas 14% dos homens ficam no aguardo. 24% do público masculino alegou contatar a outra pessoa após a primeira noite para saber o ela que achou do sexo, enquanto que só 9% das mulheres dão esse retorno.

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16% das pessoas de ambos os sexos disseram que não ligam ou mandam mensagem no dia seguinte: preferem esperar um pouco mais antes de falar novamente com o outro.

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Se a transa não foi lá essas coisas, 17% dos homens e mulheres afirmaram não procurar mais a pessoa. Curioso é que 31% dos homens disseram tentar manter amizade mesmo depois da experiência ruim, enquanto só 14% das mulheres se dispõem a isso.

Quando devo mandar nudes?

O psicólogo Francis Kich, da Omens, aponta cuidados fundamentais de segurança na prática do sexting: “Como existem riscos de violação de privacidade, como vazamento ou compartilhamento proposital de nudes, deve-se evitar enviá-los a quem não seja de total confiança”, diz.

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Também não se deve mostrar a desconhecidos partes do corpo facilmente identificáveis, como rosto, tatuagens, piercings e outros sinais particulares.

Outro cuidado é seguir princípios de consensualidade em relação a quem se envia esses conteúdos, respeitando a vontade e a receptividade da pessoa destinatária. Vale se perguntar: ela(e) gostaria ou quer mesmo receber minhas fotos íntimas?

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Caso não tenha certeza ou a resposta for negativa, não insista: uma brincadeira aparentemente divertida pode se transformar em dor de cabeça, por vazamento ou acusação de assédio.

Fotos: Deposit Photos

https://www.instagram.com/homemnoespelho/

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