Como seria a vida sem álcool?

Por que toda festa, balada, churrasco, reunião com amigos ou encontro tem que ter bebida alcoólica? Precisamos sempre de uma birita para relaxar e interagir com outras pessoas?

Homem No Espelho - álcool - sober curious

Por Wilson Weigl

Por que toda festa, balada, churrasco, reunião com amigos ou encontro tem que ter bebida alcoólica? Precisamos sempre de uma birita para relaxar e interagir com outras pessoas?

Existe uma campanha mundial que questiona porque a interação com outras pessoas precisa acontecer em torno de uma garrafa e porque há essa pressão social para beber em encontros e festas. Se não tiver álcool, não é festa?

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Esse movimento chama-se Sober Curious (curioso sóbrio ) e reúne pessoas que optam por cortar ou reduzir conscientemente o consumo de bebidas alcoólicas, explorando maneiras de viver sem depender do copo. Aliás, você sabia que o Brasil é um dos 10 países com o maior consumo de álcool do mundo, segundo o Ministério da Saúde?

A medicina há muito tempo conhece os benefícios da abstinência ou consumo menor da birita na saúde e no bem-estar, como melhoria do sono e do desempenho sexual dos homens, aumento de energia e clareza mental, desintoxicação, perda de peso e diminuição do risco de certos cânceres.

O termo “curioso sóbrio” foi criado pela escritora Ruby Warrington, autora do livro de 2018 Sober Curious: The Blissful Sleep, Greater Focus, Limitless Presence, and Deep Connection Awaiting Us All on the Other Side of Alcohol (não lançado no Brasil). O  título pode ser traduzido como “curioso sóbrio: o sono feliz, maior foco, presença ilimitada e conexão profunda esperando por todos nós do outro lado do álcool”.

Nas redes sociais, pessoas que abraçaram o movimento costumam postar há quantos dias estão sem beber ou bebendo menos. Tanto que Ruby Warrington lançou em seguida outro livro, The Sober Curious Reset – Change the Way You Drink in 100 Days or Less, que pode ser traduzido por algo como “O reset Curioso Sóbrio – Mude a maneira como você bebe em 100 dias ou menos”.

“Existe quase uma obrigatoriedade em consumir álcool para socializar; então é legal ver pessoas tomando a iniciativa de evitar o álcool e optar por bebidas não alcoólicas nos momentos de socialização”, afirma Julia Bohatch Batista, cofundadora e diretora de Comunicação e Marketing da foodtech Begin, que lançou o primeiro gin tônica zero álcool e sem calorias do Brasil, o Virgin Tonic.

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A adesão ao movimento Sober Curious impulsionou até a abertura de “bares sóbrios” em cidades dos Estados Unidos como Nova Orleans, Portland, Nova York, Austin e Los Angeles, entre outras.

“Por ser uma substância tóxica para o organismo, o álcool pode provocar doenças mentais, câncer, problemas hepáticos como a cirrose, alterações cardiovasculares, com risco de infarto e acidente vascular cerebral, e a diminuição de imunidade, além de favorecer a desidratação e a inflamação”, explica a médica nutróloga Marcella Garcez, diretora e professora da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN).

O álcool é um depressor do sistema nervoso central, e seu efeito relaxante evolui para depressivo após alguns copos — e esse efeito influi no sexo. Um ou dois drinques ajudam a relaxar, quebrar o gelo e dão uma força para os tímidos se soltarem. Mas bastam algumas doses a mais para levar um homem ao fiasco na cama — por isso caras bêbados têm dificuldade de ereção. O abuso do álcool não apenas provoca apenas broxadas episódicas como também contribui para a disfunção erétil, por causa do comprometimento da saúde de modo geral.

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Por conta desse efeito depressivo do álcool, seu abandono pode também ter impacto positivo no estado psicológico, deixando o abstêmio mais otimista, feliz e motivado para a vida.

As bebidas influem também no ganho de de peso. Não só cerveja, mas também uísque, gim, rum, vodca, tequila, são altamente engordativos. O etanol é o segundo “alimento” mais calórico (7 calorias por ml), atrás só da gordura (9 calorias por grama) — o carboidrato e a proteína tem só 4 calorias por grama. E as calorias do álcool são vazias, ou seja, não fornecem nenhum nutriente. Drinques aparentemente inocentes, como caipirinha, batidas, mojito, gim tônica ou negroni, são bombas calóricas, já que as calorias do álcool se somam às do açúcar, dos refrigerantes, das frutas e do leite condensado. Para saber mais, leia o post aqui.

Veja alguns dos problemas de saúde causados pelo álcool.

Redução do metabolismo e ganho de peso

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Beber álcool acrescenta mais uma tarefa para o fígado, que metaboliza gorduras e elimina toxinas do organismo. Quando há a ingestão da bebida alcoólica, o metabolismo vai priorizar a eliminação do álcool, deixando de lado o processo normal de queima calórica do corpo, proveniente dos alimentos, como se atrasasse o metabolismo”, explica o médico endocrinologista Filippo Pedrinola. A consequência dessa desaceleração metabólica é o acúmulo de gordura corporal.

Perda da cognição mental

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Cérebro e álcool não mantêm relações amigáveis. O abuso leva a efeitos psíquicos bem conhecidos, como redução da concentração, da atenção, da memória recente e da capacidade de julgamento. Mas segundo um recente estudo médico de 2022, mesmo o consumo de álcool num nível leve a moderado — algumas cervejas ou taças de vinho por semana — reduz o volume do cérebro, causando alterações que correspondem a anos de envelhecimento. Passar de abstêmio a um drinque diário equivale a 6 meses de envelhecimento; 4 ou mais drinques diários aumentam 10 anos na idade biológica.

Problemas de pele

O álcool desidrata (por isso vamos ao banheiro com tanta frequência). E como o organismo retira água também da pele para metabolizar o álcool, ocasiona secura, descamação e perda de viço”, diz a dermatologista Paola Pomerantzeff, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia. “O álcool também pode levar a um processo inflamatório crônico da pele que prejudica sua firmeza e elasticidade, acelera o envelhecimento e favorece doenças como acne, psoríase, rosácea e dermatite seborreica”, completa o dermatologista Daniel Cassiano, da Clínica Gru, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

Boca seca e doenças orais

Boca e dentes também são afetados pela perda de água causada pelo álcool. “A diminuição na produção de saliva contribui para o desenvolvimento de cáries, gengivites e erosão dental. Uma das principais funções da saliva é justamente proteger os dentes e as mucosas da boca”, explica Hugo Lewgoy, cirurgião-dentista e doutor em Odontologia pela USP.

Problemas circulatórios

O álcool, além de aumentar a incidência de câimbras e dores musculares, também pode fazer o organismo reter líquido. “Ficamos mais inchados e a pressão sobre as veias e artérias aumenta, o que contribui para problemas vasculares como varizes e trombose”, diz a cirurgiã vascular Aline Lamaita, membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular.

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A recomendação sem radicalização é moderar o consumo do álcool e não tornar o ato esporádico de beber um hábito rotineiro. “Recomenda-se limitar o consumo diário a 150 ml e optar por bebidas funcionais, como o vinho tinto, rico em polifenóis, substâncias antioxidantes. Os destilados têm maior concentração de álcool, não oferecem nutrientes, são mais agressivos para o fígado e devem ser limitados ao consumo esporádico, em quantidades menores que uma dose diária”, finaliza a médica Marcella Galvez.

Fotos: Deposit Photos

https://www.instagram.com/homemnoespelho/

 

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