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Nosso comportamento sexual pode ser mais influenciado por normas sociais e falsas crenças do que pelas reais necessidades da nossa libido.

Por Wilson Weigl
Normas sociais muitas vezes exercem uma influência maior sobre o comportamento e as práticas sexuais do que a real necessidade da libido. É importante rever e contestar conceitos que levam a uma vida sexual menos satisfatória e bem resolvida.
O impulso sexual tem origem biológica, enquanto a maneira como o sexo é vivenciado, os tabus, a frequência e as escolhas de parceiros são construções sociais. Tende-se a tentar modelar a vida sexual para se conformar a esses modelos, mesmo que não estejam alinhados ao desejo genuíno.

As regras sociais também determinam “roteiros” de desempenho na cama que os homens aprendem desde meninos e seguem ao longo da vida.
Por isso é fundamental reexaminar e não se deixar influenciar por crenças equivocadas para que o sexo seja uma experiência verdadeiramente prazerosa e alinhada às reais necessidades da libido.
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Sexo não tem que ser espetacular
Homens são doutrinados de que sexo deve ser performático, intenso. Entram na cama como se ela fosse um palco onde devem dar um show de performance. A pressão por desempenho (“mandar bem”, técnicas mirabolantes) gera ansiedade e frustração.
Mesmo em encontros casuais, a qualidade do sexo resulta mais da conexão e do prazer mútuo do que dos espetáculos de desempenho. Desmistificar a necessidade de um sexo “espetacular” ajuda a tirar o peso da obrigatoriedade de performance e a focar no prazer genuíno.

Em parceiros de longa data, o sexo tende a evoluir do tesão intenso e frequente para uma ligação mais afetiva, baseada em vínculos emocionais. Especialistas indicam que buscar um “sexo bom o suficiente” em vez de um “sexo perfeito” é mais saudável, especialmente em relacionamentos duradouros.
O desejo nem sempre é espontâneo, automático
Nos pornôs, o tesão é impetuoso, arrebatador, incontrolável, arranca-se a roupa em qualquer lugar. Mas há o desejo não espontâneo, que precisa de um empurrãozinho. Nem todo ato sexual precisa ser iniciado por um desejo intenso; muitas vezes o desejo surge durante o ato.

Existe o desejo responsivo, diverso do espontâneo, quando a vontade só desperta com estímulos físicos ou emocionais, como toques, beijos, contexto e ambiente adequado. Nem se está pensando em sexo quando o outro chega se insinuando e já se entra no clima.
Esse desejo é normal em parceiros de longa data. O cansaço e a rotina podem diminuir o desejo espontâneo, tornando o responsivo a principal forma de conexão em relacionamentos duradouros.

Entender o desejo responsivo ajuda a diminuir a pressão sexual, pois se entende que não ter desejo espontâneo não significa falta de interesse no parceiro, mas apenas um funcionamento diferente da libido.
Homem não é botão liga-desliga no sexo
Um clichê sobre sexualidade masculina diz que o homem pensa em sexo o tempo todo e está sempre pronto para a ereção. Esse clichê cria uma pressão de desempenho que gera insegurança e constrangimento quando não se corresponde à expectativa irreal de estar sempre “pronto”.

Homens não são interruptores de luz liga-desliga e podem sofrer de estresse e fadiga que afetam o desejo. Muitos costumam transar cansados ou estressados, por medo que “negar fogo” faça suspeitar de sua potência sexual ou masculinidade. Sentem-se obrigados a fazer sexo mesmo sem vontade, no momento em que são requisitados, ainda mais se for por uma mulher.

O clichê da “superprontidão” é uma construção cultural exagerada. O desejo sexual masculino é complexo, variávele e afetado pelo estado emocional, da mesma maneira que o feminino.
Sexo não se limita apenas à penetração
Penetrar não é a única forma de atingir o prazer máximo. Práticas sem penetração vaginal ou anal geram tanta ou mais excitação. Carícias, masturbação mútua, massagens e brincadeiras são formas de sexo por si só, não só preliminares. Penetrar não precisa ser o único objetivo.

Alguns homens partem logo para a penetração, enquanto de 70 a 80% das mulheres não conseguem chegar ao orgasmo com a penetração rápida. Precisam de preliminares durante o tempo necessário para se excitar. Senão o sexo pode se tornar uma experiência frustrante para elas. Diferente da estimulação direta que o pênis recebe, o clitóris (centro do prazer feminino) muitas vezes não é estimulado adequadamente durante a penetração vaginal.
A vida sexual alheia não é parâmetro
Comparar-se com outros afeta a autoestima até de homens que têm uma vida sexual satisfatória e adequada a suas necessidades.
Comparar a própria vida sexual com a de outras pessoas é um hábito prejudicial que transforma o desejo em autocobrança, afastando o indivíduo de sua própria jornada de prazer. Não existe uma “régua universal” para sexualidade; cada corpo, história e desejo são únicos.
A sensação de que se deveria ter vida sexual mais excitante, movimentada, com múltiplos parceiros, quase nunca nasce de uma necessidade genuína.

A comparação muitas vezes se baseia em fantasias ou nas redes sociais, que moldam padrões de comportamento e frequentemente perpetuam estereótipos com base em desempenhos e relacionamentos “perfeitos” postados por outros.
Ter vida sexual intensa é uma escolha, nunca um imperativo. Frequência e troca de parceiros devem atender à necessidade real de sexo, sem comparação.
Sexualidade é uma experiência singular e individual. Valorizar a própria vivência e respeitar o próprio ritmo é fundamental para uma vida sexual saudável e prazerosa.

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