Testosterona: como anda seu hormônio do homem?

Conheça as várias funções da testosterona no corpo do homem, veja como estimular sua produção e os sintomas que aparecem quando cai o nível do hormônio.

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Por Wilson Weigl

A testosterona desempenha um papel fundamental no organismo masculino: é o hormônio responsável pelo desejo sexual, ereção do pênis, desenvolvimento muscular, acúmulo de gordura corporal e muitas outras coisas. Mas bastou o homem perder a vontade de fazer sexo, ter dificuldade na cama, sentir cansaço e falta de energia para ir ao médico se queixar de “queda de testosterona”.

Segundo os especialistas, porém, na maior parte dos casos esses problemas não tem relação com baixa hormonal, mas sim com problemas psicológicos ou fatores relacionados ao estilo de vida, como estresse, alimentação ruim, falta de sono ou de exercício.

Como saber se um problema está ligado ao déficit hormonal? Porque alguns caras culpam a testosterona até por não ganharem músculos na academia. Em quais situações pode ocorrer a baixa da produção do hormônio?

A testosterona é um dos principais impulsionadores de mudanças físicas na adolescência, como aumento muscular, voz grave e surgimento dos pelos. Ter bons níveis do hormônio também é importante durante toda a vida adulta do homem, e até mesmo na velhice.

“Por volta dos 40 anos a produção de testosterona começa a declinar naturalmente, a uma taxa de 1% ao ano, em média. Mas a diminuição no ritmo normal não é significativa a ponto de impactar a vida do homem”, explica o urologista Fernando Nestor Faccio Jr., professor-doutor da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto, membro da Sociedade Brasileira de Urologia. “Há homens de 70 anos que já perderam 40% da testosterona e não apresentam nenhum problema, nem mesmo sexual”.

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Quando ocorre mesmo a deficiência hormonal (chamada hipogonadismo), o homem pode apresentar diversos sintomas:

  • Baixa da libido
  • Dificuldade de ereção
  • Ganho de peso
  • Baixo nível de energia e disposição
  • Perda de força muscular e resistência física
  • Depressão ou irritabilidade
  • Falta de concentração
  • Insônia
  • Queda de cabelos e pelos
  • Diminuição da quantidade de esperma

Perda de libido e dificuldade de ter ou manter a ereção são os principais sintomas de baixa anormal do nível testosterona, já que o hormônio (produzido nos testículos) está diretamente ligado ao desempenho sexual. “Se o paciente reclama de cansaço, irritabilidade, insônia ou falta de concentração, mas mantém vida sexual ativa e dentro da normalidade, pode-se descartar problemas relacionados ao hormônio”, diz Fernando Faccio. “Depressão, estresse e vários distúrbios psicológicos costumam apresentar esses mesmos sintomas”.

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Exame do nível de testosterona

Quando existem também as queixas sexuais, a iniciativa do médico é pedir o exame de sangue que mede o nível de testosterona (livre e total). O exame de testosterona total revela a quantidade total de testosterona produzida pelo corpo, enquanto a dosagem de testosterona livre mostra a concentração desse hormônio disponível para ser usada pelo organismo.

Como é feito com a simples coleta de sangue, o exame é muito fácil. Mas se a vida sexual do paciente vai bem, mesmo antes de pedir o exame o médico pode intuir que não há queda da testosterona. A abordagem então é buscar razões de fundo emocional que possam ser responsáveis pelos problemas. Como anda sua autoestima? O casamento vai bem? Está desempregado? Insatisfeito ou estressado no trabalho? Problemas financeiros? “Às vezes, o problema não é de tratamento médico, mas psicológico ou mesmo terapia de casal”, afirma Faccio.

A baixa da testosterona pode ser causada também por problemas como obesidade (sim, gordura em excesso compromete a produção hormonal), diabetes, hipertireoidismo e uso de certos medicamentos.

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Como estimular a testosterona

Manter um estilo de vida saudável é comprovadamente a melhor maneira de estimular a produção saudável de testosterona pelo corpo.

  • Pratique uma atividade física

O exercício é uma das maneiras mais eficazes de prevenir doenças relacionadas ao estilo de vida e, segundo estudos, homens que se exercitam regularmente têm níveis mais altos de testosterona. Pesquisas em obesos sugerem que o aumento da atividade física é mais benéfico do que dieta de perda de peso para aumentar os níveis de testosterona. A musculação é considerada o melhor tipo de exercício para aumentar a testosterona a curto e longo prazo, assim como  os treinos intervalados de alta intensidade (HIIT), que aumentam a força a resistência.

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  • Adote uma alimentação saudável

O que você come tem um grande impacto em sua saúde de modo geral e também nos níveis de testosterona e outros hormônios. O ideal é procurar manter com equilíbrio saudável de gorduras, proteínas e carboidratos (principalmente alimentos integrais) e evitar ao máximo refrigerantes, doces, salgadinhos, frituras e comidas industrializadas. Dietas de emagrecimento muito longas ou restritivas podem influenciar negativamente a produção normal de testosterona. Comer proteína pode ajudar na perda de gordura, que também está associada à testosterona.

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  • Controle o estresse

Longos períodos de ansiedade, preocupações e excesso de trabalho elevam os níveis do cortisol, hormônio do estresse, que interfere na produção de testosterona. Os dois hormônios funcionam de maneira semelhante a uma gangorra: à medida que um sobe, o outro desce. O estresse e o cortisol alto também podem aumentar a ingestão de alimentos, o ganho de peso e o armazenamento de gordura corporal prejudicial em torno dos órgãos do abdômen. Procure reduzir situações estressantes repetitivas em sua vida. Concentre-se em uma dieta saudável, pratique exercícios regularmente, procure dormir e descansar, pratique um hobby e equilibre os períodos de estresse com momentos de relaxamento.

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  • Dê descanso e sono ao corpo

Dormir bem é tão importante para sua saúde quanto dieta e exercícios. A quantidade ideal de sono varia de pessoa para pessoa, mas um estudo descobriu que dormir apenas 5 horas por noite estava associado a uma redução de 15% nos níveis de testosterona. Outro estudo calculou que, para cada hora adicional de sono que você obtém, os níveis de testosterona aumentam na mesma proporção de 15%, em média. Embora algumas pessoas pareçam se dar bem com menos sono, pesquisas sugerem que dormir pelo menos 7 horas por noite é o mínimo para a saúde a longo prazo e a produção de testosterona.

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A reposição hormonal

Quando é confirmado o diagnóstico da queda do hormônio no exame de sangue, o médico pode recomendar reposição hormonal por meio de injeções intramusculares ou subcutâneas, adesivos ou gel. O perigo é tomar providências por conta própria e partir para a reposição artificial em clínicas que prometem “rejuvenescimento”. “Terapias de reposição devem ter rigoroso acompanhamento médico ou vão causar ainda mais problemas. O uso indiscriminado de hormônios pode provocar problemas no fígado, no coração, no cérebro, atrofia dos testículos e aumento do risco de câncer de próstata”, alerta Fernando Faccio.

Quem sente permanentemente (não apenas de vez em quando) vários dos sintomas listados acima deve consultar um urologista e fazer o exame de sangue. Caso o nível da testosterona esteja normal, deve-se investigar outra possível causa do problema.

A fadiga pode ser causada por excesso de trabalho, alimentação ruim e privação de sono; a dificuldade de ganhar músculos pode estar relacionada ao “efeito platô” (momento em que é preciso mudar a rotina de treino) e as dificuldades no sexo podem ser consequência de ansiedade e estresse, que disparam a adrenalina e causam dificuldade de ereção.

Caso você sinta algum dos sintomas da lista lá de cima, antes de “culpar” a testosterona, tente descobrir possíveis causas no seu estilo de vida, no seu trabalho, na sua vida pessoal. E mude o que for preciso.

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