Por que arrumamos desculpas para não treinar?

Quantas vezes você inventou uma desculpa para não se matricular na academia ou mesmo faltar ao treino? “Estou cansado; ocupado; entediado; não gosto de acordar cedo; não consigo ver resultado no treino”. O que está por trás dessas justificativas?

Homem No Espelho - desculpas para não treinar

Por Wilson Weigl

Quantas vezes você já ficou com preguiça e deixou de ir treinar? Inventou uma desculpa para não se matricular na academia ou mesmo faltar a vários dias de treino? “Estou muito cansado; estou muito ocupado; estou meio entediado; não gosto de acordar cedo; tenho algo mais importante para fazer; não consigo ver resultado no treino”, “me sinto constrangido em estar fora de forma no meio de tantos caras sarados”.

Por trás dessas desculpas está a falta de motivação. E por trás da falta de motivação podem estar outros fatores além de cansaço ou falta de tempo. Nos agarramos a justificativas criadas para nós mesmos porque simplesmente queremos fugir do compromisso, nos falta clareza de objetivos e sentido de um objetivo maior que nos faça perseverar — principalmente nos momentos em que nossa energia diminui.

“Criar hábitos exige não apenas motivação para dar o pontapé inicial, mas pede também algo que nos mantenha firme no propósito”, diz a psicóloga Fabiane de Faria, idealizadora da plataforma online aterapia, especializada em Terapia Cognitivo Comportamental.

A maior evidência dessa perda de propósito com o passar do tempo, segundo a psicóloga, é o aumento do número de matrículas nas academias quando o verão se aproxima, caso semelhante às promessas feitas na noite de réveillon e que se perdem ao longo do ano.

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Segundo o dicionário, motivação é uma palavra derivada do latim “movere”, que significa “o impulso interno que leva à ação”. Também é sinônimo de ânimo, incentivo, encorajamento, estímulo, impulso. Que é justamente o que nos falta quando usamos desculpas justificar nossa falta de disposição a perseverar numa intenção. Principalmente no caso da boa forma forma física, que não se alcança em uma semana ou um mês.

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Uma boa tática para não desanimar é dividir um grande objetivo em etapas menores, deixando-o mais viável. No caso do exercício físico, a meta pode ser construir músculos, perder peso, ganhar força, agilidade e resistência ou melhorar o condicionamento cardiorrespiratório. Então cuidado para não focar numa “linha de chegada” longe demais, que pode ser difícil de atingir em pouco tempo e gerar ansiedade e frustração. Quer ganhar músculos? Persevere no dia-a-dia de treino sem eleger como “modelo” um cara sarado que na verdade é um veterano de anos e anos de academia.

A psicóloga acredita que ao seguir qualquer trilha é necessário tirar o foco do fim. Concentre-se no processo, não nos resultados. “Ao enxergar cada passo dado como uma pequena vitória, você terá mais confiança para encarar o passo seguinte. É preciso curtir cada etapa, cada conquista. O erro mais grave é não fazer nada só́ por achar que podia fazer pouco”, diz.

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Preguiça, medo, falta de disposição

Para Fabiane, as pessoas que conseguem dar continuidade a um grande desafio não estão protegidas do medo, da preguiça, da dúvida ou da indisposição. “Elas sentem tudo isso, porém ultrapassam essas barreiras em prol de uma recompensa maior. Não se contentam apenas com a contemplação da ideia de mudança”, explica.

“Um exemplo disso é quando se começa a fazer dieta. Descobrir que uma roupa não serve mais estimula você a controlar a alimentação. Mas esse gatilho que fez com que você comesse somente salada pode ser eficaz apenas algumas semanas e não durante todos os meses necessários para perder todos os quilos indesejáveis”, diz Fabiane de Faria.

Motivação para sair da imobilidade

Mas qual é a diferença entre ficar motivado e permanecer nesse estado de inventar desculpas para si mesmo? No meio de uma pandemia que colocou os sentimentos à flor da pele, o que é preciso fazer para começar a mudança? 

“Trocar hábitos prejudiciais por saudáveis acontece quando readaptamos a rotina de acordo com o que conseguimos adequar na nossa vida. É uma questão de se reeducar, em qualquer idade, a adotar novos comportamentos e viver de forma em que o corpo e a mente estejam alinhados”, ensina Fabiene.

Uma das armadilhas da vida atual é a tendência de tirar da agenda nosso principal evento: nós mesmos. Nas demandas do trabalho e dos afazeres domésticos, optamos por deixar nossas atividades pessoais de lado em prol das exigências externas. As consequências dessa prática costumam aparecer logo, ainda que de forma não imediatamente aparentes. É o sentimento de insatisfação, de frustração, por nos desviarmos ou atrasarmos nossos objetivos pessoais.

“Estabeleça alguns minutos por dia ou uma hora no final da semana para ponderar o que você conquistou e como planejar o que deseja para a próxima semana”, sugere a terapeuta. Se for mais fácil, anote, coloque no papel: registre e documente seus progressos e as táticas que poderá usar para melhorar sua motivação, seu desempenho e seu rendimento. 

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O oposto da desmotivação: a obsessão

A situação oposta à falta de motivação é um comportamento compulsivo que faz muitos homens sofrerem de dependência do exercício, em que a busca da forma física se transforma no foco central da vida. Sacrificam a agenda pessoal, deixam de curtir, sair com os amigos e ficam deprimidos por faltar um único dia ao treino. São transtornos de imagem chamados de vigorexia ou dismorfia muscular. Os homens que sofrem de transtorno dismórfico muscular costuma ser musculosos que se enxergam no espelho magros e fracos. E se empenham com todas as forças para “crescer” e ficar ainda mais musculoso. Para saber mais sobre a vigorexia, leia aqui o post.

https://www.instagram.com/homemnoespelho/

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