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Esse tipo de corpo “normal” passa uma ideia de naturalidade e autenticidade que agrada mulheres e homens e seduz por sinalizar atributos além da forma física.
Por Wilson Weigl
Fotos: Deposit Photos
Homens de corpos definidos, musculosos, com abdômen tanquinho, despertam interesse e apetite geral. Mas esse favoritismo está longe de ser unanimidade. Supor que caras sarados são preferência universal é um equívoco — talvez você já saiba disso ou tenha percebido por experiência própria.
Um universo de mulheres e homens prefere o físico batizado de “dad bod” (corpo de pai). É aquele tipo de corpo “normal”, do homem com barriga saliente, sem músculos pronunciados, que não são extremamente atléticos nem estão muito acima do peso. Algo no meio de “em forma” e “fora de forma”.
O termo “dad bod” entrou para os dicionários Oxford e Merriam-Webster, definido como “físico que tipicamente tem um leve excesso de tecido flácido ao redor da cintura, mas não está acima do peso”. A inclusão nos dicionários renomados solidificou o impacto cultural e a longevidade do termo, um lembrete de que, além da aparência, outras qualidades de personalidade são igualmente importantes na atratividade.
O corpo de pai passa uma ideia de naturalidade e autenticidade que agrada tanto mulheres quanto homens. “Beleza e forma física são e sempre serão atrativos sexuais, mas muita gente não os considera apelos prioritários, especialmente quando o objetivo é um relacionamento”, diz a psicóloga e sexóloga Jussania Oliveira, autora do livro “Amor Próprio” (conheça aqui seu site; no Instagram @jussaniapsicosex).
Corpos de pai não são exclusivos dos pais de verdade, embora o relaxamento da forma física costume coincidir com o início de uma família e a partir da meia-idade. Em sua maioria são indivíduos antes atléticos que deixaram a preguiça superar a vontade de se exercitar.
A imagem do “corpo de pai” chama atenção por sugerir autoconfiança, maturidade, estabilidade emocional e segurança. Passa a ideia de que o homem não é obcecado por perfeição física, se concentra em algo mais na vida (como trabalho e família) e se sente confiante e confortável em seu corpo, sem a obsessão com aparência que pode ser desgastante nos relacionamentos.
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Esse tipo de homem foi amplamente divulgado nas mídias sociais e na internet em fotos de astros antes musculosos, mas flagrados em momentos “dad bod”, como Jason Momoa, Leonardo di Caprio, Jake Gylentall, Chris Pratt, Will Smith e Glenn Powell. Porém, todos são corpos de pai de galãs de Hollywood, que atraem por outros predicados além da aparência. E como quase tudo em Hollywood, até os “dad bods” são glamurizados. Corpos de pai da vida real podem ser bem menos atraentes.
O apelo do “dad bod” também traduz o desejo por naturalidade em um mundo saturado de imagens e corpos ideais e padrões de beleza irrealistas, que atualmente são reforçados pelas imagens geradas por Inteligência Artificial (leia aqui o post).
Outra razão para o prestígio entre a ala feminina é o fato do “dad bod” aliviar a insegurança da mulher em relação ao próprio corpo. Estar ao lado de um homem de corpo “médio” quando seu corpo também é “médio” permite que ela renuncie a autojulgamentos negativos radicais sobre celulite, gordura localizada ou excesso de peso, inquietudes comumente presentes na relação com um cara atlético ou musculoso. “O homem fora do padrão pacifica o modo em que uma mulher enxerga e sente seu corpo”, explica a sexóloga Jussania Oliveira.
Entre os gays, muitos homens jovens sentem atração afetiva e sexual pelos mais velhos e experientes, que lembram uma figura paterna, evocando proteção, maturidade e estabilidade. Há muito tempo uma das subculturas mais visíveis e inclusivas da comunidade são os “ursos”, peludos, gorduchos, ostentando barrigas pronunciadas. Homens maduros resgatam nos jovens emoções experimentadas na relação com o próprio pai na infância e adolescência. Do lado positivo, essa lembrança resulta em admirar e buscar figuras paternas nos relacionamentos adultos.
Essa inclinação é muitas vezes erroneamente definida como “problemas com o pai”, mas não é necessariamente reflexo de relações tóxicas com pais física ou emocionalmente ausentes, controladores ou abusivos. Frequentemente a afinidade sexual reflete uma boa relação com um pai que ofereceu proteção, apoio e carinho ao filho.
Por celebrar um corpo imperfeito, mas desejado, homens quem não se enquadram nos ideais estéticos abraçam o “dad bod” como incentivo para se sentirem confortáveis na própria pele e desenvolver a autoaceitação e a imagem corporal positiva. Segundo pesquisas, quase a metade dos homens está descontente de alguma forma com a aparência por não se enquadrar no padrão do corpo forte e musculoso (leia aqui o post). “Todos nós queremos e podemos ser objetos de desejo”, reforça a psicóloga e sexóloga Jussania Oliveira.
Esse corpo também sugere uma perspectiva sobre idade e envelhecimento em que as mudanças naturais não são vistas como defeitos, mas como marcadores de experiência e maturidade. Em vez de lutar contra o inevitável, o homem pode priorizar saúde e bem-estar e aproveitar a vida sem se sentir pressionado a recuperar a todo custo a juventude.
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