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Os danos solares na pele mais perigosos são invisíveis. Ocorrem em nível celular profundo e causam envelhecimento precoce e câncer.

Por Wilson Weigl
A queimadura é apenas a parte que se enxerga e se sente do estrago que o sol faz na pele. Os piores e mais perigosos danos são invisíveis e ocorrem em longo prazo, num processo contínuo e silencioso: mutações no DNA das células que levam ao envelhecimento precoce e câncer.
A radiação solar é comprovadamente a principal agente de degradação da pele, com uma ação maléfica se desenrola tanto em nível celular superficial quanto profundo. O envelhecimento causado pelo sol – cujos sinais são rugas, manchas e flacidez – é mais rápido e agressivo do que o cronológico, causado pelo tempo.
A radiação ultravioleta (UV) tem efeito cumulativo no corpo — a soma de todo o sol que se vem tomando desde criança — e consequências ainda mais graves quando não se costuma usar protetor solar. Toda exposição desprotegida desde a infância fica “guardada” na pele: 75% dos danos do sol ao longo da vida ocorrem antes dos 20 anos de idade.

O bronzeamento não é saudável como parece, pois o escurecimento é por si só um sinal de estrago. A principal função do pigmento da cor, a melanina, é proteger a pele e, para se defender da agressão solar, o corpo reage aumentando a produção das células melanócitos.
Os tipos de raios agem de forma diferente. A radiação UVB, causadora das queimaduras com vermelhidão e ardor, atinge a epiderme (camada superficial da pele) e é mais intensa no verão e nos horários próximos ao meio-dia. Já a radiação UVA, grande responsável por rugas e manchas, chega até a derme (camada mais profunda da pele), está presente do nascer ao pôr do sol, o ano inteiro, e atravessa nuvens e vidros de janelas e carros.

Quando a radiação penetra na pele, quebra ligações químicas e gera moléculas instáveis chamadas radicais livres, iniciando um ciclo de destruição. Os radicais livres “roubam” elétrons de células saudáveis para se estabilizarem. Esse processo, chamado de estresse oxidativo, danifica o DNA celular e é o principal fator de risco para o desenvolvimento de câncer de pele.
Essas mutações genéticas também têm consequências visíveis, pois em longo prazo resultam em rugas e manchas escuras. E por destruir as fibras de colágeno e elastina, que dão sustentação à pele, causam perda de firmeza e elasticidade.

Basta se queimar feio apenas uma vez. A pele registra cada agressão sofrida ao longo da vida. Um único dia exposto ao sol sem proteção pode causar 100.000 defeitos no DNA de cada célula.
O organismo possui mecanismos naturais altamente eficazes para reparar alterações genéticas da pele. O corpo identifica as células comprometidas e, para evitar a multiplicação das mutações e o desenvolvimento de câncer ou outras complicações, elas se autodestroem. A descamação nada mais é do que o “suicídio” das células lesionadas. Com a apoptose, a morte celular programada, o corpo as elimina e substitui por uma nova camada saudável.
Embora os sistemas de reparação celular sejam incríveis, eles têm limitações. A exposição excessiva e repetida ao sol gera mais danos do que as células conseguem consertar a tempo. Com a capacidade sobrecarregada, o reparo falha ou é incompleto e ocorrem mutações permanentes.

Aquela exposição rápida que se toma indo ao trabalho, caminhando na rua ou dirigindo também conta. Com os anos, a soma das pequenas doses de radiação resulta no envelhecimento precoce.
Como rosto, mãos e pescoço ficam constantemente expostos, costumam apresentar mais rugas e manchas com o tempo. Estudos já associaram o aparecimento de danos solares e lesões cancerosas no lado esquerdo do corpo, que recebe mais sol ao dirigir.

A prevenção diária é a forma mais eficaz de evitar o dano inicial. A recomendação dos médicos dermatologistas é passar protetor solar no rosto todos os dias (inclusive nos nublados), principalmente quando se trabalha perto de janelas ou se dirige muito. O filtro deve ser de amplo espectro (com proteção contra UVA e UVB) e ter FPS 30, no mínimo.
No corpo deve-se usar protetor sempre que se fica exposto ao sol por períodos prolongados, seja ao correr, pedalar, treinar ou fazer esporte ao ar livre, em qualquer horário e época do ano. O produto deve ser aplicado 30 minutos antes da exposição e reaplicado a cada duas horas, após suar excessivamente ou entrar na água.

É recomendada também a proteção física. Sempre que possível, usar óculos de sol com proteção UV, boné ou chapéu de abas largas e roupas com proteção solar.

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